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26 abril 2011

A formação do gestalt-terapeuta de crianças (3): supervisão e psicoterapia pessoal


É indispensável que, ao iniciar um curso de formação em gestalt-terapia com crianças, o aluno seja questionado a respeito de sua escolha, de forma a elucidar as necessidades pessoais envolvidas na mesma, as quais, por inúmeras vezes, se não percebidas e trabalhadas, podem dificultar e/ou obstruir sua possibilidade de vir a ser efetivamente terapêutico para seu cliente.
É fundamental também que o aluno possua disponibilidade para participar ativamente de seu aprendizado através de questionamentos, depoimentos e inserção em atividades e experimentos.
 Considero tal disponibilidade como a responsabilidade que o aluno possui acerca de sua própria formação, para que o mesmo não assuma uma posição passiva e predominantemente introjetiva em seu aprendizado, permitindo-se construir um estilo pessoal na condução do trabalho terapêutico.
Entendo que faz parte do contexto de formação que o aluno seja mobilizado a desenvolver um conhecimento sobre si mesmo favorecendo sua percepção acerca de impedimentos e obstáculos ao seu processo de crescimento, bem como a respeito de suas habilidades e dos seus pontos ”fortes” que vão caracterizar seu estilo pessoal.
Porém, também acredito que tal contexto, por não possuir objetivos fundamentalmente terapêuticos, possui limites no que diz respeito ao trabalho extensivo e intensivo desses mesmos elementos que emergem ao longo do processo de formação de cada aluno.
Por isso, considero como requisito fundamental para a construção do psicoterapeuta e pré-requisito para o ingresso e permanência em um curso de formação, que ele invista em sua própria psicoterapia.
Se o contexto de formação age principalmente no sentido de facilitar a percepção do aluno acerca de suas próprias questões, sua psicoterapia pessoal apresenta-se como o fórum privilegiado para a aceitação, enfrentamento e reflexão acerca de sua própria história, suas dificuldades, necessidades e possibilidades. O desenvolvimento pessoal do psicoterapeuta, conforme já apontamos em outras postagens,  é condição básica para que ele possa  relacionar-se terapeuticamente com seu cliente. 
É uma profissão paradoxal: ao mesmo tempo em que o psicoterapeuta deve ser capaz de estar para o outro e com o outro, refletindo sobre a experiência presente, precisa ser capaz de dar-se conta do que está acontecendo com ele próprio naquela relação.
 Tal tarefa não se revela algo fácil de ser realizado, pois exige dele uma grande capacidade de diferenciação e de estabelecimento de  um contato de boa qualidade com seu cliente.
Essa capacidade está ligada, por um lado, `a psicoterapia pessoal desenvolvida pelo psicoterapeuta, e por outro, à experiência da supervisão, particularmente  da supervisão em grupo.
A possibilidade de compartilhar com o grupo o que ele experimentou com o cliente e emprestar tal experiência como meio de aprendizagem para os outros membros é fundamental no processo de construção do psicoterapeuta, uma vez que possibilita a percepção e a discussão de uma mesma questão sob diferentes pontos de vista, a reflexão e descoberta de suas próprias formas de condução da situação apresentada e, com isso, a constatação de que não existe uma intervenção “certa” ou uma única forma de conduzir a sessão.  Não trabalhamos com modelos pré-estabelecidos, uma vez que a relação que se estabelece com o cliente é única e o desenvolvimento da psicoterapia se dá em função dessa relação.
 Dessa forma, a supervisão auxilia a discriminação de diferentes formas de compreensão e intervenção fundamentadas na perspectiva gestáltica e realizadas a partir da singularidade da relação estabelecida entre aquele psicoterapeuta e aquele cliente, possibilitando o desenvolvimento das características facilitadoras e terapêuticas de cada aluno, bem como evidenciando seus pontos cegos e dificuldades.
 Sob uma perspectiva gestáltica, a supervisão pode ser encarada como um fórum privilegiado de ajustamentos criativos do aluno, realizados a partir das devoluções e contribuições do supervisor e demais psicoterapeutas, dos sentimentos emergentes identificados na relação psicoterapeuta/cliente e do dar-se conta de suas próprias questões obtidas no momento da supervisão.
A forma como a supervisão é conduzida também é de extrema importância. É fundamental que se estabeleça um ambiente de acolhimento e confirmação da experiência do aluno, a partir de uma relação horizontal entre ele e o supervisor e de respeito às diferenças dentro do grupo, de forma a não propiciar a emergência de sentimentos de vergonha, fazendo com que o aluno omita detalhes do atendimento ou não descreva mais a sua experiência, impedindo-o assim de crescer enquanto psicoterapeuta, bem como dificultando o crescimento de seu cliente. 
Vale lembrar que o desenvolvimento profissional não é apenas o único objetivo da supervisão; temos também como responsabilidade, a facilitação do processo do cliente que está sendo atendido por aquele aluno, fazendo com que a supervisão seja um processo de facilitar alguém a facilitar o processo de uma outra pessoa.
 Psicoterapia e supervisão apresentam-se então como ferramentas fundamentais na construção de um psicoterapeuta. Precisam estar presentes não só durante o curso de formação do gestalt-terapeuta infantil bem como ao longo de todo seu caminho profissional, enquanto espaços de avaliação, questionamento, revisão e renovação da prática profissional.
Sob esse aspecto, é de fundamental importância que o psicoterapeuta não considere o tempo cronologico do curso de capacitação de psicoterapeutas como o período habil de formação, entendendo que ao final do referido curso ele estará "pronto", "formado" e, assim, sem a necessidade de continuar desenvolvendo um trabalho terapeutico pessoal e de manter foruns de discussão e troca acerca dos atendimentos realizados.
A disponibilidade para o crescimento constante e ininterrupto é a mais perfeita tradução da perspectiva de saúde em Gestalt-Terapia e compromisso de qualquer psicoterapeuta que deseje honrar a abordagem!

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